11 de jun de 2011

'FORA IMIGRANTES', É ASSIM QUE A EUROPA E RESTO DO MUNDO TRATA ESTRANGEIROS, E O BRASIL ESTÁ EM PRIMEIRO LUGAR NESTE RANKING 'DOS MAIS INDESEJADOS' MAS, AQUI OS ESTRANGEIROS SÃO BEM RECEBIDOS E BAJULADOS PELA MÍDIA E GOVERNO! E O GOVERNO CONTINUA PASSIVO, COM SEMPRE.

‘Fora, imigrantes’

Clara Roman, CartaCapital
“A crise econômica na Europa vitimou os partidos de centro-esquerda na Espanha e em Portugal em menos de um mês. Na França, governada há quase quatro anos por um presidente conservador, o destino parecia ser diferente até que o favorito na disputa, Dominique Strauss-Kahn, se envolveu num escândalo sexual e abandonou a corrida antes mesmo de seu início.

Foi a deixa para que a candidatura de Marine Le Pen, da Frente Nacional, ganhasse corpo em cima de um discurso afinado com as mais conservadoras disposições genéticas. Marine, de 42 anos, é filha de Jean-Marie Le Pen, folclórico e eterno candidato ultradireitista da França que, a cada ano eleitoral, dá voz à clássica verborragia de quem vê na imigração o centro de todos os males de um só país.

Desta vez, é Marine quem foi escalada para a disputa. Em sua estreia, assumiu um discurso que faria orgulho ao progenitor: não podemos mais “importar desempregados” (leia-se imigrantes); os países árabes começaram a revolução, e agora que os acolham; o projeto europeu terminou; não podemos bancar a crise dos países vizinhos: eles que abandonem o euro; acordos de livre-comércio com a América do Sul matariam a agricultura na França.

No rescaldo da crise financeira mundial, que parece ter despertado os instintos mais primitivos dos eleitores mais vulneráveis ao discurso do medo, a candidata virou sensação – e já ameaça fazer estrago na campanha presidencial. Para isso, no entanto, terá que provar que o discurso beirando o racismo e a anti-globalização tem algum pé na realidade.

De acordo com duas sociólogas ouvidas por CartaCapital, o discurso de Le Pen possuem uma aparência lógica, mas é construído com base em manipulação dos fatos reais. A socióloga Marijane Lisboa, do Instituto de Relações Internacionais da PUC-SP, lembra, por exemplo, que o fluxo imigratório em direção à França não é hoje maior do que tempos atrás. A construção do discurso de Len Pen, no entanto, tem o objetivo político de amplificar a sensação de insegurança dos eleitores. “É muito mais cômodo culpar o outro do que assumir alguma responsabilidade em relação à situação que estão passando”, avalia. “Quando as situações vão mal do ponto de vista econômico, a sociedade costuma por culpa nos inocentes”, diz.”